quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Aprendendo sem sofrência.


 No último post, falei sobre a necessidade de se discutir novos valores sociais, no de hoje quero falar sobre como eles podem contribuir para a educação.

Antes eu gostaria de voltar um pouco no tempo e falar da minha vida escolar. Tem total relevância para minha proposta, a propósito, então lá vai:

Quando entrei na escola, estranhei muito aquela cultura de sentar e me concentrar em coisas chatas. Nas primeiras séries eu não era uma boa aluna, ficava viajando na maionese e tinha dificuldade de decorar o conteúdo. Entretanto, descobri logo o sentimento de frustração e quão decepcionante era me sentir burra por não entender o que era para fazer, por isso, esperta como eu era descobri que para ser boa aluna, o que eu precisava fazer era decorar tudo: fórmulas, nomes de bactérias, formação de nuvens etc.

Infelizmente, minha educação escolar teve muito pouco tempo para se dedicar aos problemas sociais. Acho que fiz umas duas ou três redações em sociologia sobre o assunto e depois nada mais, mas mesmo assim, acho que decorei uma gama de argumentos que ouvi em algum lugar para poder fazer. Em outras palavras, saber era acumular informação e o pior era que esse conteúdo estava totalmente desvinculado da realidade. Não me ajudava em nada a interagir entre os meios por onde circulava.

Quando entrei para a faculdade, senti uma enorme dificuldade de acompanhar, pois o conteúdo dialogava diretamente com a realidade e eu já estava há muitos anos fechada em meu mundinho.  Acho que essa fase foi um processo de descondicionamento, e graças a Deus eu não sou um rato, porque senão teria ficado louca (psicólogos entenderão).

A decoreba por si só não me ajudava a ir bem em provas. Os professores não faziam perguntas as quais já sabiam a respostas, eles forneciam problemas que devíamos solucionar manipulando a informação que recebíamos, em outras palavras: aprendi a argumentar e principalmente a raciocinar (cientificamente falando).

Quando começaram as disciplinas de licenciatura, descobri que o método de ensino que eu recebi na escola era supercriticado  e que os pedagogos de algumas correntes achavam que o modo como aprendi na faculdade deveria ser transportado para a educação básica: as crianças deveriam ser desafiadas a construir a própria narrativa da História (eu sou professora de História, então falo pela minha matéria), solucionando problemas apresentados pelo professor. Essa medida impediria que as crianças esquecessem da matéria no futuro porque ao invés de decorarem o conteúdo frio de um papel, elas estariam vivenciando e aplicando conceitos no próprio cotidiano. Isso é o que se chama de aprendizagem significativa, pois envolve o emocional do aluno.

Dessa maneira, gostaria de fazer o mesmo com minhas histórias. Ao invés de serem reafirmadoras de valores socialmente aceitos, ela proporia desafios ao leitor mirim instigando-o a trazer suas vivências à tona e descobrir por si mesmo (e dessa forma aprender a ser confiante de seu discernimento)  a verdade sobre o mundo que vive. Dessa forma, crianças e adolescentes estariam aptos  para pensar sobre os valores sociais e se eles são justos ou não.


Acho que dessa forma outras gerações poderão se inserir no mundo sem passar pelo que passei. A escola deveria ser um lugar bom e seguro para todos não é?

Bom, isso é tudo pessoal!

Aleska Lemos.

PS: Quem puder dar um like na minha página do facebook terá minha gratidão eterna.  Eis o link: https://www.facebook.com/aleskaeseusescritos/

domingo, 21 de janeiro de 2018

#4º Post: Novos Valores Sociais.

Há dois posts atrás, falei que gostaria de escrever histórias que falassem de alguns assuntos polêmicos, para problematizar certos valores sociais que vem prejudicando vários grupos em nossa sociedade. Bem, hoje venho explicar a minha teoria, se prepare para o textão!

Os valores de uma sociedade são construídos pela influência de muitas coisas: religião, sistemas econômicos, geografia, etnias e por processos históricos. o Brasil, por exemplo, tem vários feriados cristãos porque foi muito influenciado pelo Catolicismo. É um país que cultua o consumismo porque é Capitalista. Tem uma cultura muito rica porque é muito extenso(e possui muitos climas diferentes) e porque abrigou muitos povos diversos. É um país democrático porque o povo o construiu assim ao longo de nossa curta História.

No entanto, percebo que nossos valores estão um bocado equivocados. É lógico que como um grupo que coopera pelo bem estar geral, devemos ter regras de comportamento compartilhadas para cuidar do que é público, mas percebo que em geral nossos valores se referem ao que acontece dentro de casa e não fora. Por que julgamos uma pessoa homossexual ou uma mãe solteira? O que importa se duas pessoas do mesmo sexo adotam uma criança? O que importa se essa criança vai ser homossexual ou não quando crescer? Se o mundo todo fosse gay poderíamos reproduzir in vitro, não é mesmo? Então, onde mora o problema?

Nada dessas coisas realmente prejudica o conjunto da sociedade. Deveríamos estar preocupados com aqueles que vandalizam praças (tipo quebram bancos ou balanços ou destroem monumentos), que fazem caixa dois com dinheiro público, que desviam a merenda das escolas, que causam acidentes de trânsito, que são corruptos, que não dão lugar aos idosos, os que estupram¹ ou raptam entre outras coisas. Essa é a esfera que os valores sociais deveriam atender, porque é esse tipo de coisa que se deve coibir para a proteção de um estilo de vida e da ordem pública.

Acho que o único momento em que a sociedade deve interferir na esfera privada é em caso de abusos físicos/psicológicos dentro da família. De resto, se o casamento é gay ou interracial  ou se a pessoa quer ou não ter filhos ou mesmo se não quer casar, não deve haver julgamentos da sociedade. É a opção da pessoa e a ninguém mais interessa.

Sei que nem todos concordarão comigo, nesse post, mas escrevi tudo isso para justificar minha intenção de propor uma melhor noção de coletividade em minhas histórias. Afinal, criei esse blog para servir de guia ao meu imaginário ;) (se eu ficar famosa, será que vão usar esse post para escrever minha biografia?). Bem, isso é tudo por hoje! Uma boa semana!

¹ Esses tipos de violência causam reações sim, nas pessoas, mas ainda não é um consenso culpar o estuprador. A vítima ainda é a maior acusada pela sociedade.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Evento Literário: Rio Comics 2018

Esse final de semana rolou o evento "Rio Comics 2018" na Univeritas que se situa no bairro do Flamengo. O ingresso na hora foi  25 reais, mas dava para comprar antecipado na internet, provavelmente num preço menor, mas não sei ao certo. Sabe aquela coisa de decidir ir na hora e pronto? Pois é, foi assim e não me arrependo.
Aquela foto que ninguém percebe que foi tirada. Sou dessas (risos).

Na verdade, quando entrei eu não estava dando muito crédito. Era um evento pequeno, menor que um evento de anime do Clube América, mas tinha muita gente talentosa. Vi muitas pessoas vendendo prints, mas alguns fizeram fanarts muito incríveis e tive muita vontade de trazer um do Jon Snow com o Ghost, mas nem sei onde eu colocaria. Minhas paredes estão cheias de armários 😁.

Tinha muitos cosplayers, apesar de ontem não ser o dia da competição, mas sempre vale a pena vê-los. É engraçado os treinos de dancinhas e ver como eles incorporam os personagens. É claro que também sempre tem alguém que vem com um cosplay muito diferente, como o Macaco louco das Meninas Super Poderosas e te faz viajar para algum lugar da infância.

Além disso, tinha uma banda de garotas muito talentosas cantando o melhor do rock (e mostrando que as garotas também mandam ver nesse ritmo "do demo"), sorteios de carregadores em forma de Pokebolas, estande de mangá e quadrinhos americanos e muitos autores e ilustradores nacionais expondo seus trabalhos com muito capricho. Conversei com muitos deles e teria trazido todos se tivesse saído de casa mais preparada (tipo assim: com a carteira recheada), mas achei bem legal porque muitos estavam ali meio que vendendo a própria vida em forma de arte. Bem, vou fazer uma listinha dos mais interessantes:

Paulo Chacon: Ele teve a ideia de criar super heróis do subúrbio do Rio e isso foi o que me chamou primeiro a atenção. Ele satiriza os presídios, cria gangues de pombos espalhadas pela cidade, fala do nosso hábito de comer coxinha e caldo de cana em barraquinhas de rua e feiras, a cultura dos botequins e a velha treta do pagar fiado.


Anderson AWVAS: Ah esse me conquistou pela fofura. É uma HQ sobre a vida do casal que estava vendendo. Segundo ela, o "namorido" fez o livro das vergonhas dela, pois registrou todos os seus momentos de distração pisciana. Ainda não li, mas a capa é muito simpática e as ilustrações são vibrantes (ele autografa desenhando o blackpower dele kkk super original). O nome do trabalho é "A vida de Awvas".


Thiago Drumond:Esse eu fiquei muito triste de não ter podido comprar. Ele é um fã de Senhor dos Anéis e fez uma história sobre Orcs negros. Acho que não é exatamente uma fanfic de L.O.R , mas a obra deve tê-lo inspirado. Achei muito inteligente ele querer contar a versão desse povo numa guerra.  Acho que Tolkien sempre os pintou como um povo nojentinho (risos) de repente por um outro olhar ficam mais simpáticos. O livro se chama "Ascensão- Crônicas dos Orcs Negros"


Lucinei M Campos: Esse era um cara muito engraçado. Foi fantasiado como um mago branco, mas dava pena porque estava um calor danado e o cara estava com um manto da cabeça aos pés. Ele escreveu a história "Lavínia e a Árvore dos tempos", onde uma menina de 9 anos ganha uma fada rabugenta que não gosta de crianças e anda com uma pexeira mágica na mão. Ah a fada se chama Lorivaldo... achei tão doida que valia a pena conhecer a história.


Tebhata Spekman: Conversei um tempão com essa moça sobre a carreira de ilustrador e ela foi super bacana. Comprei nela uma mini HQ que homenageia filmes e músicas dos anos 80 e descobri sem querer que tinha uma referência a um filme que gosto muito: "Labirinto" com o David Bowie interpretando o rei dos duendes. O legal é que o traço dela o deixou muito fofo.


Teve muitos outros autores,  mas esses eu vou só fotografar os cartões e deixar disponível para vocês. Um abraço!


Aleska Lemos

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

#3°Post:Uma imagem e 140 caracteres.

Hoje eu venho aqui excepcionalmente para participar da gincana da Mari B. Eu já havia participado dela há anos atrás quando ainda era o Christian quem promovia a interação. Estou feliz de voltar porque é um exercício de escrita né?

A interação consiste em escrever um mini conto em 140 caracteres relacionando com a imagem da semana. Eis a minha participação:


Chuva de ouro decora meu caminho,
 ah se eu pudesse levá-la comigo!
 A fé nunca me abandonaria.

Bom, isso é tudo por hoje. Só uma passadinha rápida. Até mais!

Aleska Lemos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

#2ºpost: Por que eu quero escrever?

Eu fui uma criança muito inventiva. Acho que as crianças dos anos 90 em geral eram, porque a diversão dependia mais da sua criatividade do que dos brinquedos que você tinha, mas o fato é que eu permaneci assim até os dias de hoje.

Não lembro da primeira história que inventei, mas sei que desde cedo eu pegava minhas amigas para brincar de passar por passagens secretas, portais mágicos e fazer lutas épicas no play do condomínio. Eu via muitos filmes nessa época e embora meus pais comprassem alguns livrinhos para mim, passei a gostar de ler de verdade aos dez anos, segundo me lembro porque não tinha TV à cabo.

Hoje em dia agradeço por não ter tido muitas facilidades de entretenimento na infância, porque isso me moldou como leitora. E qual seria a vantagem disso? Bom você poderia dar as respostas clássicas: "porque ajuda no vocabulário" ou "porque ajuda a desenvolver o intelecto", mas a minha preferida é que ler é uma diversão mais livre de imposições massificantes. Ok fui muito nerd nessa coisa de "massificantes", mas é verdade: cada livro possui um valor, uma ideologia e por isso você não fica viciado em apenas um ponto de vista. Livros podem ajudar você a se libertar de pensamentos quadrados, a não ser que você leia sempre a mesma coisa, tipo: livros adolescentes norte americanos¹, esses tem sempre a mesma ideologia. É preciso dar uma variada também né? (risos).

 Além disso, da minha disposição nata para contar histórias e do caráter libertador do livro, resolvi escrever por causa do meu breve encontro com um autor maravilhoso durante a faculdade: Bertold Brecht. Esse grande dramaturgo, se preocupava em não deixar seus expectadores hipnotizados (como às vezes meu sobrinho fica em frente à TV) para não lhes passar valores negativos por "osmose". Ele construía suas peças de um jeito que o público estranhasse o que os personagens diziam e os valores de uma burguesia dominante e segregadora que outras peças passavam sublinarmente.

Estou longe de possuir a genialidade de Brecht, mas eu como uma escritora, me pus a pensar sobre a importância de fazer uma literatura consciente que dialogue com a realidade do meu público. Dessa forma, fui na contra mão da maioria dos meus colegas escritores e resolvi fazer fantasia falando da cultura nacional, da realidade do subúrbio carioca, das dificuldades de ser mulher no Brasil entre outras questões polêmicas. Acho que o Brasil precisa abrir espaço na literatura para voltar a falar de si mesmo, porque a maioria dos autores novos que vejo quer viajar na maionese americana ou falar da Europa Medieval. Dessa maneira, falando só de fora, ficamos muito alienados e no momento atual, com escolas fechando e com faculdades públicas prestes a falirem, acho que os livros deveriam começar a atuar como um campo alternativo na luta por mudanças.²

Bom, só quero esclarecer que não me proponho a divulgar ideologias políticas. Por mais que Brecht tenha sido comunista, só o vejo como ponto de partida por causa da reflexão sobre a arte que conscientiza ao invés de ser usada para dominar. Isso é tudo por hoje, pessoal!

Aleska Lemos.

¹Não levem a mal, eu gosto deles, mas vejo muitas falhas.
² Por mais que pareça uma crítica aos meus colegas, enfatizo que é apenas uma explicação da minha escrita. Eu me sinto com a obrigação de falar dessas coisas porque meu contexto social exige. Se você sente de forma diferente tem toda a razão para continuar escrevendo do jeito que escreve ok?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

#1º Post

Aos futuros leitores,


Escrever em blogs não é nenhuma novidade para mim, faço isso desde a adolescência, muito embora só agora eu realmente tenho algum conteúdo para repassar (risos).  Acho que era por isso que sempre acabava deletando os blogs anteriores, pois em certa altura eu olhava para eles e me pareciam Frankensteins, costurados de materiais diferentes.

Dessa vez, porém, tenho um propósito. Não virei mais escrever poemas sobre bactérias (sim eu escrevi sobre elas e tive um pico de visualizações gigante no outro blog) ou besteiróis (uma série de posts também de uns endereços eletrônicos antigos). Aqui neste cantinho pretendo escrever poemas, resenhas de autores que gosto, textos sobre literatura, novidades sobre os livros que ando escrevendo e tudo o mais que for coerente com a proposta.

Agora sobre meu estilo de escrita, bem eu sou um pouco eclética. No geral, gosto de escrever histórias de fantasia e aventura com um tom mais cômico, mas um escritor é como um escultor: ele pega sua matéria prima (no caso a ideia ou um tema) e esculpe a forma mais adequada para desenvolver aquela história, então também escrevo coisas sérias às vezes, mas se me perguntarem, meu público favorito é o adolescente.

Também sou fã da literatura infantil, que possui uma criatividade ilimitada e por isso possui infinitas formas de desenvolvimento, mas escrever para adolescentes me motiva um pouco mais porque eles já desenvolveram a capacidade de serem irônicos e debochados e por isso soltam pérolas mais refinadas.

Mudando o assunto, pretendo escrever por aqui uma vez por semana, preferencialmente toda segunda feira, mas como ainda estou aquecendo as turbinas para a nova rotina de 2018 é possível que haja alguns atrasos. Então, desde já PERDÃO!

Bom, meus queridos, vou me despedindo nesse momento, mas deixo vocês com um desenho que fiz ano passado e que gosto muito. Um abraço bem apertado em você que por acaso apareceu por aqui!



Aleska Lemos.


Aprendendo sem sofrência.

 No último post, falei sobre a necessidade de se discutir novos valores sociais, no de hoje quero falar sobre como eles podem contribuir...