terça-feira, 23 de agosto de 2022

Sobre fazer terapia

Eu queria usar este blog como um meio de divulgação profissional, mas esse ano eu estive fazendo terapia e as minhas emoções andaram flutuando muito sabe? Toda vez que vejo o doutor eu tomo algumas pancadas, fico deprimida e chego a conclusão de alguma coisa. Dói, mas é bom, porque liberta, sabe? Eu andava um pouco com vergonha de quem me tornei, porque meus pés se grudaram ao chão como se tivessem raízes e não estava conseguindo correr atrás dos meus sonhos. Tive problemas de insônia, ansiedade e até pânico, gente! De acordar de pesadelo sentindo dor no peito e tudo. É claro que a pandemia afetou minha cabeça, mas acho que a contribuição dela foi benéfica no final das contas, porque ficar trancada dentro de casa cuidando de doente por dois anos, acabou por me fazer entrar num processo de olhar para dentro e avaliar a vida. Eu vi que tinha muita coisa problemática dentro de mim que eu empurrei para debaixo do tapete sem resolver. E resolvi fazer terapia para que alguém mostrasse o que eu não estava querendo ver. Absolutamente, não foi fácil. Tem dias que até brigo com ele, mas ao mesmo tempo é meio mágico sabe? As coisas que ele fala vão fazendo sentido conforme vai passando o tempo e as respostas vão aparecendo na minha cabeça. Neste momento, acabo de juntar todas as peças do meu quebra cabeça e confesso que estou me sentindo tonta e ao mesmo tempo aliviada. Eu não posso dizer os detalhes do meu processo, porque a prudência me ensinou a não revelar muito sobre mim, mas gente, se vocês estiverem passando por algum problema psicológico, não tenham medo em procurar ajuda profissional. Tenho algumas amigas que me recriminam por eu fuxicar o passado, porque elas mesmas não querem revolver o passado delas, mas pela minha experiência atual, a gente tem problema que nem lembra, mas que nos afeta ainda hoje em dia. Não é porque você não lembra que ele acabou. A mente pode esquecer os detalhes do fato traumático, mas ela guarda o que você concluiu para usar no futuro como base para novas experiências, e se você entendeu tudo errado, filha, senta que lá vem dor de cabeça! A mente é um instrumento que pode nos boicotar feio, se não for colonizada por bons exemplos, ideias saudáveis e compreensão. Aliás o ato de se recriminar demais é um sinal de que o amor próprio não vai bem. E para você que está parado por algum evento traumático e está se sentindo mal porque as pessoas estão te julgando, bem, saiba que elas estão erradas,mas não deixe de buscar se conhecer e de pedir ajuda ok? É isso que vai te fazer melhorar. Aleska Lemos

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Doces Ilustres

 Olá amigos e pessoas perdidas que vieram parar no meu blog!

Sejam todos bem vindos! Tudo bem com vocês? Eu esperava ter voltado a escrever por aqui mais cedo, ainda em maio, mas surgiram outras preocupações e eu fiquei bem enrolada. Afinal os malditos boletos não param de chegar.

Hoje eu vim contar uma coisa que já não é bem novidade: tive uma ilustração publicada num livro ano passado. Atualmente já não tem nenhuma cópia física para venda, pois para minha surpresa, meus amigos no facebook compraram tudo de uma só vez, mas não fique tristinha! Ainda tem o ebook na Amazon caso queira comprar: DocesIlustres. Os lucros vão para uma instituição de caridade.


Olha a felicidade da pessoa.


"Mas Aleskinha, como foi que você foi parar nessa coletânea?" Você deve estar pensando algo mais ou menos como isso né? Bem, durante a pandemia, eu fiquei meio sem objetivo. Tive que trancar a faculdade para cuidar de uma mãe que ficou doente por mais de um ano e eu fiquei meio desesperada por só ficar trancada dentro de casa. Acho que é nessas horas que a gente percebe que entretenimento não é tudo, é preciso sentir que se está construindo  algo (bom, ao menos pra mim), porque nem a santa netflix conseguiu apaziguar minha ansiedade.

Então gente, eu achei o curso "Ateliê ilustre" da professora e ilustradora Ingrid Osternack. É um curso de ilustração infantil que ensina muito bem o básico do desenho e introduz a gente em diversas técnicas tradicionais, como aquarela, tinta acrílica, gravura, lápis de cor, finepen e por aí vai. No meio do curso, surgiu a ideia de fazer um livro para ajudar cada aluna a começar um portifólio e eu topei é claro.

Tínhamos que enviar uma receita de doce tradicional da nossa família, mas a minha não tem essas coisas porque minha avó não sabia fazer comida. Era péssima na cozinha e a minha mãe aprendeu com a vida, pegando receitas de outras pessoas. Confesso que minha mãe me ensinou o básico, mas a maioria das coisas que faço ou pego no youtube ou invento de cabeça, e foi assim com a receita do "Castanhão": sem nada para fazer doce (nenhum bendito leite condensado!) misturei leite, castanhas, ovos etc no liquidificador e levei ao fogo. Quando fui ver, parecia um flan, tipo brigadeirão, sabe? Só que de castanhas e aí foi fatal, tive que batizar de "castanhão" (risos).

Dei a sorte dessa larica ter acontecido uma semana antes da Ingrid anunciar o livro, pois já estaria livre para pensar só no desenho. E falando nisso, foi um processo divertido, testei várias composições, comecei pensando em desenhar um menino na cozinha, mas no final era eu alí representada com a colher de pau na mão. Usei lápis de cor aquarelável, canetinha colorida de ponta fina e caneta de gel. Cruzei um monte de referências (imagens que busquei na internet para obter inspiração), coloquei easter eggs, foi muito divertido. Só penei para fazer os azulejos da cozinha porque era uma coisa muito repetitiva.

Confesso que não achei que foi o melhor desenho da minha vida, ainda estou bem iniciante nele, mas posso dizer que foi o desenho mais importante da minha recém nascida carreira de ilustradora. Espero fazer o próximo o mais rápido possivel e de preferência que seja só meu, nada de participação em coletâneas. Mas ainda não há previsão dele acontecer, então deixa quieto.

Grande abraço a todos!

Aleska Lemos

PS:Assista também ao vídeo do lançamento para conhecer o projeto clica AQUI

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Aventuras Ilustradas

Fazia um tempo que eu não dava as caras aqui né? E já chego mudando o layout e o nome do blog,  acho que "causei".

Brincadeiras à parte, resolvi retomar de vez esse espaço. Sei que a blogosfera não é mais a mesma, restam uns poucos amigos por aqui, porém, ouvi conselhos de alguns ilustradores profissionais de que era bom ter um blog para mostrar meu trabalho como ilustradora, aí lembrei deste cantinho e mudei o nome para caber meus dois amores no tema do blog: a ilustração e a escrita, pois, em geral minhas histórias são mesmo de aventura e eu amo desenhar os personagens delas.

O layout anterior estava meio capenga, era uma foto qualquer que peguei no pixabay para não ter que pagar nada a ninguém e nem violar os direitos autorais dos outros. Este já foi feito no Canva e a foto é uma ilustração que fiz do filme "Alice no país das maravilhas" do Tim Burton. É um dos filmes que mais gosto.

Acho que o mais correto é chamar a ilustração de"fan art", já que os personagens não são meus, mas é um dos meus trabalhos mais queridos. É experimental, porque estou buscando um estilo próprio,  e confesso que adoro essas linhas escuras bem sinuosas com pouco preenchimento de cor. Quando percebi que podia colocá-lo num fundo colorido no Canva fiquei muito empolgada, pois o blog finalmente ia ter a minha cara.

Quer dizer, antes eu tinha a ajuda de outras pessoas para fazer os layouts, e embora eu seja muito grata a todas que se dispuseram a me ajudar, acho que nenhuma delas captou muito o meu jeito de ser. Faltava o toque peculiar da Aleska e eis que agora o tenho, por mais simples que o fundo tenha ficado. É muito bom saber fazer as coisas né? Sem depender de ninguém e tal. Dá pra sentir o gostinho da liberdade.

Bom, encerro o post breve de hoje já prometendo mais para os próximos dias, pois mal sentei aqui e as idéias vieram todas juntas como antigamente. Tem muito assunto para contar, inclusive que publiquei um novo livro pela Amazon, mas vou deixar para os próximos capítulos, porque é de conteúdo que vive um blog.

Grande abraço a todos!

Aleska Lemos


 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

A toxicidade da internet

A internet mudou nossa forma de viver, quer dizer ela mais a banda larga. Downloads hoje ocorrem em questões de segundos e não mais esperamos a meia noite para usar a internet de graça. Ficamos conectados o dia inteiro por um aparelhinho menor que um caderno A5.

 De certa forma, a internet nos moldou nessas ultimas 2 décadas. Trouxe coisas muito boas, como as mídias alternativas que acabaram com o monopólio e a manipulação da informação feitos pela grande mídia; democratização do conhecimento como vídeos no YouTube de entrevista com pessoas especializadas, cursos gratuitos etc. Mas hoje em dia, não sabemos o que fazer se não temos acesso a ela. 

 Lembro que há dois anos houve um apagão da internet por um ou dois dias e as pessoas quase surtaram por não poderem postar suas selfies ou ler as notícias na internet. Isso me fez pensar em quanto somos viciados em expor nossas vidas nas redes, e não se enganem : eu estou me incluindo nessa conta. É claro que tiro selfies (às vezes, porque não sou muito chegada a fazer poses) e busco informação na internet, mas desenvolvi uma ansiedade exagerada a ponto de ter insônia com frequência. Sabe o que o médico me recomendou? Caminhar e sair da internet às 19 horas para ler um livro. Acho que foi o melhor remédio que me receitaram na vida.

 Eu sei que é importante se informar, afinal nessa era da fake news a gente não pode acreditar em qualquer coisa, mas será que acompanhar o dia inteiro todas as falas mais bizarras de Bolsonaro vai fazer bem para a sua saúde ou vai mudar algo para o país? É que nem uma pessoa com pressão alta que não pode assistir futebol para não passar mal. A mente precisa de um pouco de leveza também para estar saudável. Veja as notícias sim, comente mas não passe o dia inteiro conectado ao lixo tóxico da internet. 

 Quem me acompanha desde o primeiro blog que tive aqui no blogspot, o falecido "Diários de Bordo", deve lembrar das minhas crises existênciais e minha constante vontade de deletar o que já tinha escrito. O problema é que eu sempre começava um blog novo em seguida, quando, na verdade, a minha vontade era mesmo de sair de vez e me isolar por um tempo. Eu só não entendia isso, pois estava viciada na minha auto-exposição. Achava normal até, afinal, todo mundo fazia né? Mas constantemente reaprendo que seguir o fluxo pode ser muito perigoso. 

 Não precisamos dar satisfação das nossas decisões a ninguém, ou exibir nossa privacidade o tempo inteiro por ostentação ou coisa assim. Apenas devemos procurar viver. Aliás, muito sabiamente Paulo Freire dizia que precisávamos aprender a ser ao invés de ter, mas acho que hoje em dia nós precisamos aprender a ser antes de mostrar. Seja feliz, para si mesmo, em vez de viver para mostrar a felicidade que você não tem.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2021

Eu na pandemia

 Em qualquer lugar da internet em que passei, vi pessoas reclamando de que a pandemia fez as famílias entrarem em desarmonia. Vários casais se separaram, filhos brigaram com pais, avós xingando os descendentes por eles terem virado seus carcereiros e é claro as crianças dando mais trabalho que nunca.

Aqui em casa passou tudo bem.  Nenhuma crise famliar aguda ou briga com namorado (até porque estava solteira em março) digna de nota. Acho que o maior problema é essa alta dos preços, que transformou ítens cotidianos em iguaria, tais como arroz e queijo. Dá até vontade de começar uma horta, para não gastar tanto com comida. Pena que não tenho quintal.

Mas quem não tem horta, aprende a cozinhar e euzinha aprendi a fazer pão, bolo, torta salgada, biscoito (tudo de aveia porque glúten não é de Deus), queijo (que ficou péssimo, mas um dia aperfeiçôo a receita). É claro que adquiri uns quilinhos também, mas aí nem me cobro muito porque a única coisa a fazer é comer né gente? (risos).

Além de aprender a fazer comida, fiz alguns cursos gratuitos da faber castell, para não parar de evoluir minhas técnicas de desenho. Comprei outros cursos no site Domestika.org onde professores de vários assuntos dão aulas pelo mundo inteiro. O desenho abaixo é de uma das minhas aulas com o professor Adolfo Serra, um ilustrador espanhol. Foi muito divertido de fazer porque não tem muitas regras para ilustrar, na verdade o tempo todo o professor incentivava a se desafiar e misturar técnicas e tal. Criar precisa dessa liberdade, sabe? A sensação é maravilhosa^_^.

Também tive momentos de sobreviver ao tédio, que não foi fácil, mas eu tenho experiência nisso e é uma pena que não dê para colocar no currículo. Teve momentos que a ansiedade batia com força, de já acordar com a mente em alta rotação, o que me levou a ouvir aquelas músicas de relaxamento no Youtube e a lotar vários caderninhos incompletos com páginas de diário.  O que foi bom né? Enfim diminuiu a quantidade de cadernos sem utilidade nas minhas gavetas.

Saí pouco em 2020, mesmo com a flexibilização, passei a maior parte do tempo em casa tentando fazer exercícios caseiros, colocar as coisas na rotina e até escrever um pouco, mas nada deu muito certo e o ano que poderia ser sabático foi meio errático, até porque as aulas online da faculdade não conseguiram me botar muito na linha e a sensação é de ter tirado férias de verdade.


Fiz esse desenho para meu instagram @aleskaverso que também foi mais um projeto que larguei um pouco de mão.

E no início desse ano, eu meio que dei uma furada no isolamento social e fui num museu, aliás centro cultural para ver Alphonse Mucha. Além da exposição estar muito bacana eu ainda ganhei brinde e fiquei me sentindo vip porque eram bem caprichados os ítens: uma garrafa de metal, um caderno de capa dura e uma ecobag lindíssima. Acho que vou fazer um post a parte sobre isso. E vocês, como passaram o último ano?


segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Segredos da vida

 Nos tempos de escola participei de um concurso de redação e o tema era "Os segredos da vida". 

Eu gostava de escrever. De longe redação era minha matéria favorita, pois tinha menos decoreba e podíamos usar mais a criatividade. Era um dos poucos momentos em que me sentia livre e confortável dentro da escola.

Só que aquele tema me derrubou. Afinal o que uma criança de 13/14 anos sabe da vida? Nessa idade eu vivia tudo com muita intensidade e levava coisas bobas tão à serio que acabava sobrecarregando as glândulas lacrimais. E depois que tudo passava eu percebia que eu não sabia nada mesmo da vida.

Rodei pela sala conversando com meus colegas sobre o que eles estavam escrevendo para ver se eu tinha alguma inspiração, mas nada surgiu. Nenhuma lampadazinha surgiu acima da minha cabeça e o que eles escreviam parecia ser muito banal e infantil.

Acho que acabei escrevendo sobre minha religião, que na época era o Kardecismo, mas não passei nem da primeira fase do concurso, afinal a professora era evangélica. Fico imaginando o quanto ela não se segurou para não me dar um zero enorme.

Lembro de ter ficado arrasada, mas aquele tema foi um estopim para uma busca que realizo até hoje: o que é a vida? Por que estamos aqui e para onde iremos depois?

Não tenho religião, nem sou muito dada a filosofia (só gosto do Descartes até agora), mas acredito que vivemos sob leis que desconhecemos e meu passatempo favorito é investigar essas coisas. Veja essa listinha de segredos para descobrir o que eu aprendi:

1- Sempre que fiz algo por orgulho, atraí inimigos, confusão e infelicidade, mas quando experimentei fazer por amor sempre atraí a sorte. Ex: Meu sobrinho traz qualquer jogo para jogar comigo achando que vai ganhar porque sou fraca e mulher. Eu sempre odiei jogos, mas aceitava jogar com ele para distraí-lo e por pena já que ele não tinha alguém melhor para brincar. Nessas horas eu ganhava de lavada dele, tadinho.

2-Não faça mal a uma pessoa, pois o universo trata de reverter os papeis. O famoso "o mundo dá voltas" é muito real.

3-Quando alguém lhe causar raiva, evite  ficar alimentando esse sentimento, pois depois que ele vira um king kong é mais dificil de ser aplacado.

4- Se um dia precisar perdoar alguém, perceba que talvez você exigiu demais de alguém que só podia te dar bem pouquinho. De modo geral, tentar enxergar as limitações da pessoa ajuda a ter compaixão.

5- Nem todo mundo vai gostar de quem você é, mas se você for autêntico, quem gostar vai ser sincero.

Pensando aqui, acho que isso tudo não iria caber numa redação. Acho que teria de escrever um livro para dar conta de tanto segredo revelado.

Um abraço, Aleska Lemos

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Publiquei um ebook na Amazon.

Oi pessoal da blogosfera!

Ando um pouco relapsa com o blog né? Pois é, mas as notícias são boas: estou fazendo uma nova graduação (e estou adorando!) e neste sábado coloquei um pequeno e-book na Amazon, chamado: "Manual do Calouro de Humanas- Seu Guia na Universidade".

Ainda não vendi um singelo ebook (risos), mas estou feliz à beça, pois muitas pessoas compartilharam para ajudar e eu espero que chegue até o público alvo dele em breve, para essas vendas deslancharem. 

Bom, sobre o assunto do pequeno livro digital, posso dizer que é uma síntese da minha experiência na faculdade de História. Lá eu conto sobre a diferença entre professores do segundo grau e da faculdade, sobre as provas, sobre os hábitos dos estudantes, sobre como escolher seu tema de monografia e até como conseguir que seu orientador turista corrija sua pesquisa. Em outras palavras : dou vários macetes e dicas úteis para o cotidiano dos alunos.

É claro que não dei spoiler sobre toda a experiência da faculdade, porque aí estragava toda a diversão, mas nessas 30 e poucas páginas, posso dizer que dei uma bela mãozinha. Então, quem tiver algum conhecido em época de vestibular, ou entrando na faculdade agora, é uma boa recomendar essa leitura.

Bem, por último vou deixar o link do livro digital para vocês e quem puder comprar ou compartilhar, terá minha gratidão e talvez um autógrafo (risos).



Beijos da Aleska Lemos

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Dois encontros com Madame Bovary




Amadurecimento pessoal é uma coisa incrível, e às vezes a literatura acaba sendo um termômetro dele.
Há alguns anos, eu li Madame Bovary. Não tudo, infelizmente, pois larguei a história pela metade. Flauber com sua heroína pouco convencional atacava meus valores morais com tudo: na questão do casamento, da família e também da conduta pessoal. Não podia entender como uma mulher que tinha um bom marido, uma casa confortável e uma filha saudável, não valorizasse o que possuía para ficar admirando a grama alheia.
O fato é que Emma não era uma mulher “recata e do lar”, por isso não se sentia conectada com as pessoas de sua família. Beirava ao egoísmo extremo e isso me chocava demais. A identificação com a personagem foi zero.
Alguns dias atrás, porém, vi o filme estrelado por Mia Wasikoska como Madame Bovary. Ele mostrava a personagem de um ângulo mais favorável, porém,  DETESTEI. Os diretores tiraram da personagem tudo o que a caracterizava, para transformá-la numa Effie Grey injustiçada.
O marido de Emma de quem eu senti muita pena na primeira vez, pareceu um pouco tirânico ao não permitir que a esposa fizesse um monte de coisas bobas e um machistão na cama. Como se isso fosse a justificativa para ela querer algo mais da vida. Foi uma péssima construção dos diretores, na minha opinião. Bovary traiu o esposo antes por sua falta de atrativos e caráter insosso do que por algum tipo de vileza do médico.
Acho que diminuíram a personagem, sabe? Não que hoje eu me identifique com ela, mas entendo que se sentisse mal com sua situação de mãe e esposa, pois sei que nem todos são feitos para isso, mas a sociedade continua apontando esse caminho como o único para a felicidade e muita gente cai nessa conversa até hoje.
Dessa forma, me sinto conciliada com a personagem. Não é nada demais o que ela faz, muita gente já fez o mesmo em casamentos infelizes, afinal somos humanos e sempre buscamos a felicidade mesmo que a própria busca, por vezes, seja responsável pela nossa ruína.

domingo, 5 de agosto de 2018

Marketing e Objetividade.

Em primeiro lugar, após terminar de escrever este post prometo que vou no blog de cada um de vocês, meus queridos amigos remanescentes da blogosfera. Não para que comentem este texto, mas porque acho que não retribuí todos os comentários dos posts anteriores, o que foi uma grande indelicadeza de minha parte e peço perdão se deixei alguém no vácuo. Ultimamente só recebo comentários de pessoas queridas por aqui, graças a Deus.

Agora, muito provavelmente vocês estão esperando o "segundo lugar", mas na verdade vou entrar no assunto do post mesmo, o paragrafo acima era mais uma nota introdutória. Então, hoje vim contar sobre a bola de neve que me enfiei nos últimos meses e que tem atrapalhado muito minha produção literária.

Há alguns poucos anos, fiz um cursinho de marketing para autores. Na época eu fiquei meio frustrada porque grande parte da informação era meio óbvia, mas mesmo assim resolvi tentar seguir a cartilha dos professores. Fiz página no facebook, fiz este blog, conta no wattpad e estava me esforçando para colocar conteúdo com uma boa frequência por lá. Achei que iria conseguir colocar tudo nos eixos mas me enganei redondamente.

A primeira decepção foi o Wattpad. É verdade que  muitos autores são descobertos lá, mas a quantidade de histórias mirabolantes e sem estrutura nenhuma desestimula. Até porque, para formar seu público você tem que ler e comentar as histórias dos outros o que certas vezes pode ser um grande sacrifício. Não é culpa dos escritores, eu sei, ainda temos poucos cursos de escrita criativa gratuitos e a nossa educação é deficiente, mas cheguei a conclusão de que não vou mais usar essa ferramenta. Além de tudo, é um risco colocar histórias lá e se expor ao plágio ( isso é o que mais me preocupa, na verdade).

Depois, fui percebebdo que manter a minha página do facebook atrativa diariamente era impossível. Criei algumas memes e tentei colocar umas frases de efeito, mas fui percebendo que estava direcionando minha criatividade toda pra isso e não estava conseguindo escrever uma linha de conto. Foi aí que entrei num período de "dane-se!" e acabei abandonando tudo, inclusive este blog. Mal posso expressar em quão fecundas minhas ideias se tornaram. Estou com vontade de escrever tantas histórias diferentes que não tenho nem dedos para fazê-las.

Por fim, acho que as minhas redes sociais não vão me ajudar a aparecer. É o contrário, quando eu for digna de ser vista, a página do face, este blog e o meu instagram é que vão bombar. Desculpem vocês pessoas objetivas e marqueteiras que elaboram estratégias mirabolantes de fazer jabás, mas isso é um troço escravizante que não dá muito resultado por si só. Então, eu acho que o caminho do escritor é procurar se lapidar e ser criativo. Vá movimentando sua página do facebook, conhecendo outros escritores, participando de concursos e eventos literários que uma hora você vai se dar bem. Tenha fé e não pare de produzir!

Aleska Lemos.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Sobre contos de fadas

Outro dia, quando eu discutia um jogo de RPG que estou prestes a começar a participar, descobri que a maioria dos participantes apostava que eu escolheria ser uma fada. Achei estranho, na minha cabeça fadas são piriguetes nanicas (sininho teve grande influência no meu imaginário...), mas ao que parece eles chutaram esse personagem por eu gostar de contos de fadas.

Quando eu disse que não gostava desse tipo de literatura por causa desse personagem em especial, me perguntaram porque então eu falo tanto desses contos tradicionais. Na hora eu não soube responder, mas o fato é que eu tenho uma longa história com eles. Então senta que lá vem história:

Tolkien afirma em seu livro "Arvore e folha" que o conto de fadas não é uma propriedade exclusiva da infância. O ser humano em geral gosta da fantasia, do escapismo e essa preferência vai até a idade adulta. Eu concordo com ele, até porque lá na Idade Média quando as histórias de fadas foram surgindo, elas tinham um tom pra lá de brutal: falavam de canibalismo¹, estupro, trapaça e rancor de classe (afinal com o surgimento do senhor feudal, o pobre tinha quase nenhum direito, inclusive não podia caçar nas terras do seu senhor), nada super apropriado para a infância certo? Nessa época, os contos estavam mais próximos da tradição oral de tribos indígenas do que da literatura infantil, pois transmitiam um saber das camadas populares.

Porém, é claro que até hoje gosto de contos de fadas por lembrarem a minha infância, apesar de eu ter lido e visto filmes sobre o assunto durante toda minha vida. No início eu gostava das princesas, até porque as fadas eram sempre secundárias naquele tempo. Só foram ser exploradas amplamente com a Tinker Bell (pra mim vai ser sempre Sininho), mas nesse tempo eu já era grandinha e não tive grande apego à essas personagens. A única fadinha que eu sou fã é a Clara Luz, do livro "A fada que tinha ideias", que me foi dado pela amiga Pandora. Essa garotinha, cheia de amor e imaginação enfrentou as regras ditatoriais da chefe das fadas e libertou seu mundinho da repetição e da falta de criatividade. Tudo isso escrito e publicado durante o Regime Militar Brasileiro. A autora foi muito corajosa.


No entanto, hoje em dia, as princesas nem fazem mais parte do meu rol das preferidas. Continuo gostando dos contos, mas por motivos diferentes, pois na faculdade tive a oportunidade de estudar mais sobre a história dessas narrativas e dei de cara com Giambattista Basile (o cara que escreveu que os bebês da Bela Adormecida foram concebidos enquanto ela dormia) e Charles Perrault, o responsável por adaptar os Contos de Fadas para a infância, moralizando as histórias com fins educativos².

Na verdade, após pesquisar tanto sobre o assunto, fiquei apaixonada não só pelas narrativas simples e efetivas, pois transmitiam um saber ancestral de uma camada da população que não sabia escrever e não tinha como deixar para a História a sua versão dos fatos, como também pelas ilustrações (recomendo Marc Chagall e Gustav Doré) maravilhosas que alguns artistas fizeram para elas. É um universo simples, mas muito rico.

Branca de neve na coleção da Xuxa "conte outra vez"



Bom, agora eu acho que é a hora de dar tchau. Tenho uns exercícios de escrita para fazer e já estou mega atrasada. Espero que tenham gostado deste post e se ficarem interessados em saber mais sobre o assunto é só procurar um desses autores na lista aqui embaixo  que eu super recomendo:

1-Robert Darnton no livro "O grande massacre de gatos"
2- Ana lúcia Merege  no livro "Os contos de fadas"
3-Nelly Coelho no livro "O conto de fadas"
4- Giambattiste Basile no "El Pentamerón" (ou o Pentamerão se você conseguir achar a versão em português)



Tem muitos outros interessantes, mas a maioria são artigos ou monografias que só se encontram em faculdades.De qualquer forma, compre um desses da lista e pesquise os autores da bibliografia. Fica a dica, beijos!

Aleska Lemos








¹Há histórias em que a fome era tanta que os camponeses comiam carne de defuntos. Se você pensar bem, João e Maria também é canibal.
²Um exemplo é a da Chapeuzinho Vermelho. nas versões populares ela era ora devorada pelo lobo ora enganava o lobo com sua mente astuta, mas Perrault transformou a jovem numa burguesa boba e inocente que é engolida pelo lobo e salva pelo lenhador.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

Talento ou Prática? O jeito escritor.

Outro dia fui num evento literário e ouvi um comentário que me incomodou muito. A pessoa falava sobre ter que dar apoio àquele amigo que escreveu um livro e de como isso era chato quando o colega não sabia escrever. Segundo ela, era melhor dizer a tal escritor que ele não tinha talento e parar de pagar mico.

Achei uma postura meio cruel, mesmo sendo em tom de piada porque a etiqueta nos proíbe ter essa sinceridade grosseira e imagino que ela não teria coragem de levar essa ideia à cabo (só imagino), mas acontece que ela reforça a ideia de que para escrever você precisa trazer a habilidade consigo, o que sou totalmente contra.

Para escrever, você precisa desenvolver algumas habilidades sim, mas não precisa ser um gênio que traz tudo do berço. Talvez apenas a imaginação tenha que ser uma característica inata, o resto você aprende vivendo. Quer dizer, fazer uma boa redação só depois de fazer dezenas de ruins, conhecer o caráter das pessoas só após  conhecer mil pessoas e quebrar a cara, ser empática só após de anos sendo egoísta e se dando mal, coisas desse tipo.

Então, se o primeiro livro do seu colega escritor for uma merda perdoe e tenha fé que ele vai melhorar. Essa coisa de talento é papo de gente frustrada. O esforço pode te fazer alcançar o mesmo lugar que o talentoso, basta você estudar e praticar sempre que você conseguirá. Não adianta ficar se ligando nessas almas sebosas que gostam de nos dizer que estamos fadados ao fracasso, elas é que tem uma compreensão mais limitada do mundo e não alcançam o "espírito" das coisas, nesse caso o "jeito do escritor" (uma paródia que criei por causa de um vídeo do You Tube chamado "O jeito engenheiro").

Na verdade  cunhar a expressão "o jeito do escritor" também é um pouco errado, porque já que existem vário gêneros literários existem várias formas de escrever e consequentemente varios tipos de escritores. Entretanto sempre gosto de pensar que aquele que inventa histórias é por essência uma pessoa inquieta e que ao por no papel esse comichão intelectual ele se resolve, até a próxima "irritação" aparecer.

Enfim, mas essa foi apenas a minha opinião. A única coisa que tenho certeza é que a musa do post está completamente errada e desejo muita força e fé para vocês que como eu escrevem seus pensamentos mais ínitmos e precisam lidar com essas âncoras da vida.

Grande abraço!
Aleska Lemos.




sábado, 14 de abril de 2018

28 anos

Sempre tive medo de envelhecer. Não, minto, depois que envelheci que adquiri essa fobia.
Não é exatamente uma vontade de permanecer bonita, daqueles tipos de beleza que exalam o frescor da pele e fazem os homens loucos (até porque nunca tive paciência para essa exibição).

O medo é de ter que mudar, me adaptar a um novo papel que infelizmente já vem se avizinhando. Como eu poderia deixar de ter um espírito jovem e brincalhão para ser séria e responsável? Minhas desculpas estão acabando enquanto a coluna me cobra uma nova postura (para não me travar na cama e na vida).

O mais apavorante, entretanto, é olhar para o que gostava antes com um certo distanciamento. Há um bom sentimento de nostalgia, mas parece que aquilo não mais te pertence, ou você que não pertence mais a ele.

Não há mais aquela fé ingênua de que tudo vai dar certo e não se sofre mais de amor como antes. Taí uma vantagem ao menos: as dores não são mais tão profundas, mas fica a dúvida: estarei me tornando uma pessoa rasa? Ou apenas mais forte? É normal não ter grandes sentimentos em relação a nada? Tudo vai ser sempre assim tão morno como um mingau esquecido na mesa ou às vezes teremos momentos de uma intensidade verdadeira?

segunda-feira, 5 de março de 2018

Diários de uma escritora: Dias improváveis.

Olá meus queridos!

No último post eu deixei em aberto se eu faria ou não uma série com esse título "diários de uma escritora", mas acontece que duas coisas maravilhosas ocorreram num espaço muito curto de tempo e eu queria compartilhar com vocês.

A primeira felicidade é que chegou pelo correio o documento que me dá os direitos autorais de uma coletânea que escrevi. O dia foi o mais improvável possível, mas lá estava a cartinha nas minhas mãos ao fim da tarde. É a primeira vez que algo muito bacana acontece depois de um dia cheio de desastres catastróficos (será isso uma hipérbole?).

Quer dizer, na última quinta meu sobrinho fez uma tremenda malcriação para o pai porque não queria tomar banho. Acontece que ele resolveu bater a porta de vidro do boxe e esta se transformou num mar de caquinho e cacões que precisaram de umas duas horas para serem juntados e descartados. 

O menino só teve alguns arranhões, mas o pai cortou três dedos e teve que ser levado às pressas para a emergência. É claro que foi o avô que o levou, porque eu desmaio vendo sangue, mas até eu me surpreendi com o sangue frio que tive (assim que vi a mão do meu irmão agarrei meu sobrinho porque saquei que eu seria mais útil acalmando-o e fugindo da hemorragia antes de desmaiar) porque todos estavam agindo por instinto e nem pensaram em parar de catar cacos e levar o acidentado na emergência (a parte cômica da tragédia).

Passei a tarde (depois de catar os cacos) ajudando minha mãe nas tarefas para que ela pudesse lavar o banheiro e tirar mais cacos (a cada minuto descobríamos mais pedacinhos de vidro em lugares improváveis) e lá pelas cinco quando a avó materna do meu sobrinho chegou a carta veio junto. Aliás além do dia ser improvável, a pessoa que trouxe era mais improvável ainda. Difícil de acreditar nessas improbabilidades, mas como Joseph Climber disse: "A vida é uma caixinha de surpresas", mas ainda bem que eu não virei um peso para papel (risos).

A segunda notícia é que poucos dias depois recebi a resposta de uma editora dizendo que se interessa em publicá-lo. Parece que 2018 vai ser um grande ano! Não sei ainda se o contrato é bacana, mas manterei vocês atualizados podem confiar;)

Agradeço a todos os amigos que torcem por mim. No próximo post falarei mais sobre o livro. Beijos!
Aleska Lemos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Diários de escritora: Confissões estressadas.

Olá!

 Eu andei sumida porque também participo de um blog literário e aquilo lá mais parece a caverna do dragão, porque o trabalho é contínuo e a gente nunca consegue sair para fazer outras coisas. Felizmente ontem fiz um esforço e adiantei minhas resenhas desse mês e resolvi dar uma atenção para esse meu queridinho hoje.

Bem, agora que me desenrolei estou querendo voltar à rotina de escrever todos os dias, mas anda meio difícil porque tenho que pensar no conteúdo para a página do facebook (só tenho dois dias na semana com postagens, às vezes sinto que minha page é fantasma) e tirar um dia inteiro para preparar e programar o conteúdo. Alguém aí tem experiência com isso? Quem tiver, me manda umas dicas porque preciso dar um jeito de deixar aquilo lá mais lúdico e atrativo para o público.

Nessas horas que a gente gostaria de ter um CDC (criador de conteúdo) trabalhando dia e noite para fazer nossas redes sociais bombarem, enquanto que nós ficaríamos apenas escrevendo nossos contos, fanfics e romances e lidando com as editoras. Porém, como a grana só sai e não começou a entrar ainda, a gente fica nessa  de ter ideias e programá-las para ganhar tempo.

Às vezes eu penso em começar a fazer vídeos e postar no Youtube para promover meu trabalho, mas acho essa ideia esquisita, quer dizer eu sou escritora e não atriz (a verdade é que eu morro de medo de falar na frente da câmera ou em um microfone), em outras palavras prefiro a parte introspectiva do processo criativo e não a expositiva. Entretanto, os fatos cismam em cair na minha cabeça e volta e meia me pego pensando que se quero fazer sucesso, preciso fazer vídeos, então não se assustem se algum dia eu aparecer aqui divulgando algum  ;)

Outra coisa que eu queria dizer é que colocarei hoje minhas visitinhas a vocês em dia e espero voltar a publicar mais frequentemente. Muito obrigada pelos comentários nos últimos posts! Até mais galerinha!



PS: De repente "Diários de Escritora" poderia virar uma série aqui no blog né? Uma boa ideia finalmente ^_^. 

Até mais!
Aleska Lemos

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Aprendendo sem sofrência.


 No último post, falei sobre a necessidade de se discutir novos valores sociais, no de hoje quero falar sobre como eles podem contribuir para a educação.

Antes eu gostaria de voltar um pouco no tempo e falar da minha vida escolar. Tem total relevância para minha proposta, a propósito, então lá vai:

Quando entrei na escola, estranhei muito aquela cultura de sentar e me concentrar em coisas chatas. Nas primeiras séries eu não era uma boa aluna, ficava viajando na maionese e tinha dificuldade de decorar o conteúdo. Entretanto, descobri logo o sentimento de frustração e quão decepcionante era me sentir burra por não entender o que era para fazer, por isso, esperta como eu era descobri que para ser boa aluna, o que eu precisava fazer era decorar tudo: fórmulas, nomes de bactérias, formação de nuvens etc.

Infelizmente, minha educação escolar teve muito pouco tempo para se dedicar aos problemas sociais. Acho que fiz umas duas ou três redações em sociologia sobre o assunto e depois nada mais, mas mesmo assim, acho que decorei uma gama de argumentos que ouvi em algum lugar para poder fazer. Em outras palavras, saber era acumular informação e o pior era que esse conteúdo estava totalmente desvinculado da realidade. Não me ajudava em nada a interagir entre os meios por onde circulava.

Quando entrei para a faculdade, senti uma enorme dificuldade de acompanhar, pois o conteúdo dialogava diretamente com a realidade e eu já estava há muitos anos fechada em meu mundinho.  Acho que essa fase foi um processo de descondicionamento, e graças a Deus eu não sou um rato, porque senão teria ficado louca (psicólogos entenderão).

A decoreba por si só não me ajudava a ir bem em provas. Os professores não faziam perguntas as quais já sabiam a respostas, eles forneciam problemas que devíamos solucionar manipulando a informação que recebíamos, em outras palavras: aprendi a argumentar e principalmente a raciocinar (cientificamente falando).

Quando começaram as disciplinas de licenciatura, descobri que o método de ensino que eu recebi na escola era supercriticado  e que os pedagogos de algumas correntes achavam que o modo como aprendi na faculdade deveria ser transportado para a educação básica: as crianças deveriam ser desafiadas a construir a própria narrativa da História (eu sou professora de História, então falo pela minha matéria), solucionando problemas apresentados pelo professor. Essa medida impediria que as crianças esquecessem da matéria no futuro porque ao invés de decorarem o conteúdo frio de um papel, elas estariam vivenciando e aplicando conceitos no próprio cotidiano. Isso é o que se chama de aprendizagem significativa, pois envolve o emocional do aluno.

Dessa maneira, gostaria de fazer o mesmo com minhas histórias. Ao invés de serem reafirmadoras de valores socialmente aceitos, ela proporia desafios ao leitor mirim instigando-o a trazer suas vivências à tona e descobrir por si mesmo (e dessa forma aprender a ser confiante de seu discernimento)  a verdade sobre o mundo que vive. Dessa forma, crianças e adolescentes estariam aptos  para pensar sobre os valores sociais e se eles são justos ou não.


Acho que dessa forma outras gerações poderão se inserir no mundo sem passar pelo que passei. A escola deveria ser um lugar bom e seguro para todos não é?

Bom, isso é tudo pessoal!

Aleska Lemos.

PS: Quem puder dar um like na minha página do facebook terá minha gratidão eterna.  Eis o link: https://www.facebook.com/aleskaeseusescritos/

domingo, 21 de janeiro de 2018

#4º Post: Novos Valores Sociais.

Há dois posts atrás, falei que gostaria de escrever histórias que falassem de alguns assuntos polêmicos, para problematizar certos valores sociais que vem prejudicando vários grupos em nossa sociedade. Bem, hoje venho explicar a minha teoria, se prepare para o textão!

Os valores de uma sociedade são construídos pela influência de muitas coisas: religião, sistemas econômicos, geografia, etnias e por processos históricos. o Brasil, por exemplo, tem vários feriados cristãos porque foi muito influenciado pelo Catolicismo. É um país que cultua o consumismo porque é Capitalista. Tem uma cultura muito rica porque é muito extenso(e possui muitos climas diferentes) e porque abrigou muitos povos diversos. É um país democrático porque o povo o construiu assim ao longo de nossa curta História.

No entanto, percebo que nossos valores estão um bocado equivocados. É lógico que como um grupo que coopera pelo bem estar geral, devemos ter regras de comportamento compartilhadas para cuidar do que é público, mas percebo que em geral nossos valores se referem ao que acontece dentro de casa e não fora. Por que julgamos uma pessoa homossexual ou uma mãe solteira? O que importa se duas pessoas do mesmo sexo adotam uma criança? O que importa se essa criança vai ser homossexual ou não quando crescer? Se o mundo todo fosse gay poderíamos reproduzir in vitro, não é mesmo? Então, onde mora o problema?

Nada dessas coisas realmente prejudica o conjunto da sociedade. Deveríamos estar preocupados com aqueles que vandalizam praças (tipo quebram bancos ou balanços ou destroem monumentos), que fazem caixa dois com dinheiro público, que desviam a merenda das escolas, que causam acidentes de trânsito, que são corruptos, que não dão lugar aos idosos, os que estupram¹ ou raptam entre outras coisas. Essa é a esfera que os valores sociais deveriam atender, porque é esse tipo de coisa que se deve coibir para a proteção de um estilo de vida e da ordem pública.

Acho que o único momento em que a sociedade deve interferir na esfera privada é em caso de abusos físicos/psicológicos dentro da família. De resto, se o casamento é gay ou interracial  ou se a pessoa quer ou não ter filhos ou mesmo se não quer casar, não deve haver julgamentos da sociedade. É a opção da pessoa e a ninguém mais interessa.

Sei que nem todos concordarão comigo, nesse post, mas escrevi tudo isso para justificar minha intenção de propor uma melhor noção de coletividade em minhas histórias. Afinal, criei esse blog para servir de guia ao meu imaginário ;) (se eu ficar famosa, será que vão usar esse post para escrever minha biografia?). Bem, isso é tudo por hoje! Uma boa semana!

¹ Esses tipos de violência causam reações sim, nas pessoas, mas ainda não é um consenso culpar o estuprador. A vítima ainda é a maior acusada pela sociedade.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Evento Literário: Rio Comics 2018

Esse final de semana rolou o evento "Rio Comics 2018" na Univeritas que se situa no bairro do Flamengo. O ingresso na hora foi  25 reais, mas dava para comprar antecipado na internet, provavelmente num preço menor, mas não sei ao certo. Sabe aquela coisa de decidir ir na hora e pronto? Pois é, foi assim e não me arrependo.
Aquela foto que ninguém percebe que foi tirada. Sou dessas (risos).

Na verdade, quando entrei eu não estava dando muito crédito. Era um evento pequeno, menor que um evento de anime do Clube América, mas tinha muita gente talentosa. Vi muitas pessoas vendendo prints, mas alguns fizeram fanarts muito incríveis e tive muita vontade de trazer um do Jon Snow com o Ghost, mas nem sei onde eu colocaria. Minhas paredes estão cheias de armários 😁.

Tinha muitos cosplayers, apesar de ontem não ser o dia da competição, mas sempre vale a pena vê-los. É engraçado os treinos de dancinhas e ver como eles incorporam os personagens. É claro que também sempre tem alguém que vem com um cosplay muito diferente, como o Macaco louco das Meninas Super Poderosas e te faz viajar para algum lugar da infância.

Além disso, tinha uma banda de garotas muito talentosas cantando o melhor do rock (e mostrando que as garotas também mandam ver nesse ritmo "do demo"), sorteios de carregadores em forma de Pokebolas, estande de mangá e quadrinhos americanos e muitos autores e ilustradores nacionais expondo seus trabalhos com muito capricho. Conversei com muitos deles e teria trazido todos se tivesse saído de casa mais preparada (tipo assim: com a carteira recheada), mas achei bem legal porque muitos estavam ali meio que vendendo a própria vida em forma de arte. Bem, vou fazer uma listinha dos mais interessantes:

Paulo Chacon: Ele teve a ideia de criar super heróis do subúrbio do Rio e isso foi o que me chamou primeiro a atenção. Ele satiriza os presídios, cria gangues de pombos espalhadas pela cidade, fala do nosso hábito de comer coxinha e caldo de cana em barraquinhas de rua e feiras, a cultura dos botequins e a velha treta do pagar fiado.


Anderson AWVAS: Ah esse me conquistou pela fofura. É uma HQ sobre a vida do casal que estava vendendo. Segundo ela, o "namorido" fez o livro das vergonhas dela, pois registrou todos os seus momentos de distração pisciana. Ainda não li, mas a capa é muito simpática e as ilustrações são vibrantes (ele autografa desenhando o blackpower dele kkk super original). O nome do trabalho é "A vida de Awvas".


Thiago Drumond:Esse eu fiquei muito triste de não ter podido comprar. Ele é um fã de Senhor dos Anéis e fez uma história sobre Orcs negros. Acho que não é exatamente uma fanfic de L.O.R , mas a obra deve tê-lo inspirado. Achei muito inteligente ele querer contar a versão desse povo numa guerra.  Acho que Tolkien sempre os pintou como um povo nojentinho (risos) de repente por um outro olhar ficam mais simpáticos. O livro se chama "Ascensão- Crônicas dos Orcs Negros"


Lucinei M Campos: Esse era um cara muito engraçado. Foi fantasiado como um mago branco, mas dava pena porque estava um calor danado e o cara estava com um manto da cabeça aos pés. Ele escreveu a história "Lavínia e a Árvore dos tempos", onde uma menina de 9 anos ganha uma fada rabugenta que não gosta de crianças e anda com uma pexeira mágica na mão. Ah a fada se chama Lorivaldo... achei tão doida que valia a pena conhecer a história.


Tebhata Spekman: Conversei um tempão com essa moça sobre a carreira de ilustrador e ela foi super bacana. Comprei nela uma mini HQ que homenageia filmes e músicas dos anos 80 e descobri sem querer que tinha uma referência a um filme que gosto muito: "Labirinto" com o David Bowie interpretando o rei dos duendes. O legal é que o traço dela o deixou muito fofo.


Teve muitos outros autores,  mas esses eu vou só fotografar os cartões e deixar disponível para vocês. Um abraço!


Aleska Lemos

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

#3°Post:Uma imagem e 140 caracteres.

Hoje eu venho aqui excepcionalmente para participar da gincana da Mari B. Eu já havia participado dela há anos atrás quando ainda era o Christian quem promovia a interação. Estou feliz de voltar porque é um exercício de escrita né?

A interação consiste em escrever um mini conto em 140 caracteres relacionando com a imagem da semana. Eis a minha participação:


Chuva de ouro decora meu caminho,
 ah se eu pudesse levá-la comigo!
 A fé nunca me abandonaria.

Bom, isso é tudo por hoje. Só uma passadinha rápida. Até mais!

Aleska Lemos.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

#2ºpost: Por que eu quero escrever?

Eu fui uma criança muito inventiva. Acho que as crianças dos anos 90 em geral eram, porque a diversão dependia mais da sua criatividade do que dos brinquedos que você tinha, mas o fato é que eu permaneci assim até os dias de hoje.

Não lembro da primeira história que inventei, mas sei que desde cedo eu pegava minhas amigas para brincar de passar por passagens secretas, portais mágicos e fazer lutas épicas no play do condomínio. Eu via muitos filmes nessa época e embora meus pais comprassem alguns livrinhos para mim, passei a gostar de ler de verdade aos dez anos, segundo me lembro porque não tinha TV à cabo.

Hoje em dia agradeço por não ter tido muitas facilidades de entretenimento na infância, porque isso me moldou como leitora. E qual seria a vantagem disso? Bom você poderia dar as respostas clássicas: "porque ajuda no vocabulário" ou "porque ajuda a desenvolver o intelecto", mas a minha preferida é que ler é uma diversão mais livre de imposições massificantes. Ok fui muito nerd nessa coisa de "massificantes", mas é verdade: cada livro possui um valor, uma ideologia e por isso você não fica viciado em apenas um ponto de vista. Livros podem ajudar você a se libertar de pensamentos quadrados, a não ser que você leia sempre a mesma coisa, tipo: livros adolescentes norte americanos¹, esses tem sempre a mesma ideologia. É preciso dar uma variada também né? (risos).

 Além disso, da minha disposição nata para contar histórias e do caráter libertador do livro, resolvi escrever por causa do meu breve encontro com um autor maravilhoso durante a faculdade: Bertold Brecht. Esse grande dramaturgo, se preocupava em não deixar seus expectadores hipnotizados (como às vezes meu sobrinho fica em frente à TV) para não lhes passar valores negativos por "osmose". Ele construía suas peças de um jeito que o público estranhasse o que os personagens diziam e os valores de uma burguesia dominante e segregadora que outras peças passavam sublinarmente.

Estou longe de possuir a genialidade de Brecht, mas eu como uma escritora, me pus a pensar sobre a importância de fazer uma literatura consciente que dialogue com a realidade do meu público. Dessa forma, fui na contra mão da maioria dos meus colegas escritores e resolvi fazer fantasia falando da cultura nacional, da realidade do subúrbio carioca, das dificuldades de ser mulher no Brasil entre outras questões polêmicas. Acho que o Brasil precisa abrir espaço na literatura para voltar a falar de si mesmo, porque a maioria dos autores novos que vejo quer viajar na maionese americana ou falar da Europa Medieval. Dessa maneira, falando só de fora, ficamos muito alienados e no momento atual, com escolas fechando e com faculdades públicas prestes a falirem, acho que os livros deveriam começar a atuar como um campo alternativo na luta por mudanças.²

Bom, só quero esclarecer que não me proponho a divulgar ideologias políticas. Por mais que Brecht tenha sido comunista, só o vejo como ponto de partida por causa da reflexão sobre a arte que conscientiza ao invés de ser usada para dominar. Isso é tudo por hoje, pessoal!

Aleska Lemos.

¹Não levem a mal, eu gosto deles, mas vejo muitas falhas.
² Por mais que pareça uma crítica aos meus colegas, enfatizo que é apenas uma explicação da minha escrita. Eu me sinto com a obrigação de falar dessas coisas porque meu contexto social exige. Se você sente de forma diferente tem toda a razão para continuar escrevendo do jeito que escreve ok?

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

#1º Post

Aos futuros leitores,


Escrever em blogs não é nenhuma novidade para mim, faço isso desde a adolescência, muito embora só agora eu realmente tenho algum conteúdo para repassar (risos).  Acho que era por isso que sempre acabava deletando os blogs anteriores, pois em certa altura eu olhava para eles e me pareciam Frankensteins, costurados de materiais diferentes.

Dessa vez, porém, tenho um propósito. Não virei mais escrever poemas sobre bactérias (sim eu escrevi sobre elas e tive um pico de visualizações gigante no outro blog) ou besteiróis (uma série de posts também de uns endereços eletrônicos antigos). Aqui neste cantinho pretendo escrever poemas, resenhas de autores que gosto, textos sobre literatura, novidades sobre os livros que ando escrevendo e tudo o mais que for coerente com a proposta.

Agora sobre meu estilo de escrita, bem eu sou um pouco eclética. No geral, gosto de escrever histórias de fantasia e aventura com um tom mais cômico, mas um escritor é como um escultor: ele pega sua matéria prima (no caso a ideia ou um tema) e esculpe a forma mais adequada para desenvolver aquela história, então também escrevo coisas sérias às vezes, mas se me perguntarem, meu público favorito é o adolescente.

Também sou fã da literatura infantil, que possui uma criatividade ilimitada e por isso possui infinitas formas de desenvolvimento, mas escrever para adolescentes me motiva um pouco mais porque eles já desenvolveram a capacidade de serem irônicos e debochados e por isso soltam pérolas mais refinadas.

Mudando o assunto, pretendo escrever por aqui uma vez por semana, preferencialmente toda segunda feira, mas como ainda estou aquecendo as turbinas para a nova rotina de 2018 é possível que haja alguns atrasos. Então, desde já PERDÃO!

Bom, meus queridos, vou me despedindo nesse momento, mas deixo vocês com um desenho que fiz ano passado e que gosto muito. Um abraço bem apertado em você que por acaso apareceu por aqui!



Aleska Lemos.


Sobre fazer terapia

Eu queria usar este blog como um meio de divulgação profissional, mas esse ano eu estive fazendo terapia e as minhas emoções andaram flutuan...